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terça-feira, 16 de outubro de 2007

Luís Tosar

Luís Tosar é um nome que se repete em muitos dos posts do cinespaña, e não é por acaso. Esse ator galego é hoje um dos mais consagrados do cinema espanhol. Talvez não tanto como o Javier Bardem, por seu reconhecimento internacional, mas quase isso. Tosar começou a fazer filmes e a trabalhar na televisão desde os anos 90, na Galícia, e era bastante popular por lá. Foi só em 1999, com o filme "Flores de Otro Mundo", dirigido por Icíar Bollain, que Luís Tosar se tornou mais conhecido em toda a Espanha, e não deixou de receber convites para um monte de filmes.

A partir daí a vida cinematográfica de Tosar não parou, e ele teve a oportunidade de trabalhar com cineastas renomados (Álex de la Iglesia) e com aqueles que estavam fazendo seus primeiros filmes (Patricia Ferreira), em personagens cômicos (no filme "Inconscientes", de Joaquín Oristrell), polêmicos (em "Te Doy Mis Ojos", de Icíar Bollain) ou dramáticos (em "Los Lunes al Sol", de Fernando León de Aranoa), através dos quais se tornou um ator respeitado e digno de diversos prêmios, entre eles o Goya de melhor ator, melhor ator coadjuvante e melhor ator revelação.

No panorama do cinema espanhol atual, Luís Tosar representa um dos atores mais expressivos e mais cogitados pelos diretores. Sua flexibilidade ao representar os mais diferentes tipos e a sua em geral boa escolha para bons papéis em bons filmes fez que tivesse um público cativo, que está sempre à espera de suas novas empreitadas. Tosar já andou saindo da Espanha e fez uma participação no longa hollywoodiano de ação "Miami Vice", de Michael Mann. Seus últimos trabalhos foram nos longas "Causal Day" (2007), de Max Lemcke, e "Las Vidas de Celia" (2007), de Antonio Chavarrías, no qual contracena com Najwa Nimri. Seus próximos filmes são "Normal con Alas", de Coca Gómez, ainda sem data de estréia, e "La Noche que Dejó de Llover", de Alfonso Zarauza, ainda em fase de filmagem.

sábado, 6 de outubro de 2007

Barrio

Segundo filme do cineasta madrileño Fernando León de Aranoa, "Barrio" (Bairro, 1998, não lançado no Brasil), acompanha a trajetória de três adolescentes, Javi (Timy), Manu (Eloi Yebra) e Rai (Críspulo Cabezas), que vivem num bairro marginal de Madrid. É verão na Espanha e todo mundo parece ter dinheiro para viajar, menos as suas famílias. Com tanto tempo livre e nada para fazer, os três amigos se dedicam a falar de meninas, aventurar-se em pequenos problemas e entregar-se à ilusão dos seus sonhos de meninos. O mundo da delinquência parece ser o único que se abre para eles, enquanto em suas vidas ainda têm de lidar com problemas familiares, que não são poucos nem muito simples.

Da filmografia de Aranoa, "Barrio" está longe de ser o melhor filme, mas é um bom representante do cinema social do diretor. O tema da solidão está mais uma vez aqui presente, e sua direção é sempre pautada no realismo, com poucos truques de câmara e de luz, mas uma forte influência na direção de atores e nos diálogos. Aranoa investe muito na interação entre os seus atores, que nem de longe parecem estar atuando. A linguagem "de rua" estabelecida nos diálogos é uma marca forte em todos os seus filmes, e em "Barrio" é talvez a sua estratégia mais forte de caracterização dos personagens.

Mas não é tudo que funciona em "Barrio". A trilha sonora é um tanto desequilibrada e atrapalha o ritmo do filme, assim como a escolha por abordar muitos e diversos temas de uma só vez, distoando um pouco o bom andamento do roteiro. De qualquer forma, pelo realismo e fluidez, é impossível não se render à proposta de "Barrio" e à riqueza dos seus três protagonistas. Apesar de seus probleminhas aqui e ali, o longa marca uma continuidade lógica à trajetoria cinematográfica de Fernando León de Aranoa, que viria a ser reconhecida muito em breve.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Fernando León de Aranoa

O cineasta madrileño Fernando León de Aranoa é talvez um dos mais premiados cineastas espanhóis, contando com sua curta carreira. Diretor de somente quatro longas-metragem de ficcção (e um documentário), Aranoa recebeu pelo menos um Goya por cada um deles, sem contar prêmios de outros festivais espanholes e internacionais. Talvez seja pela sua escolha por temas "realistas", como gosta de dizer, filmes que se aproximem da vida real das pessoas reais. Aranoa sempre diz que seus filmes têm "afetos especiais", e não os "efeitos especiais" dos filmes hollywoodianos, dos quais não gosta muito.

Seja como for, Fernando León de Aranoa desde o início se mantem fiel ao tipo de cinema que deseja fazer, em geral dramas que querem marcar um determinado momento da vida ordinária de personagens ordinários, no intuito de provocar reflexão sobre detalhes da nossa vida real de cada dia. Seu primeiro longa, "Familia" (1996), já deixa isso bem claro. O filme conta a história de um homem solitário que contrata a família ideal para celebrar seu aniversário. Sua opera prima lhe rendeu o Goya de Melhor Diretor, e no Festival de Cinema de Miami faturou ainda os prêmios de melhor filme e melhor ator (Juan Luis Gallardo).

Em 1998, Aranoa estreou seu novo filme, "Barrio", que acompanha a trajetória de três adolescentes que vivem num bairro marginal em Madrid. Mais uma vez o cineasta é estrela do Goya, com três prêmios: direção, roteiro e atriz revelação (Marieta Orozco). Em 2001, Fernando León de Aranoa dirigiu seu primeiro documentário, "Caminantes", antes de começar a rodar aquele que é talvez o seu mais bonito e expressivo filme: "Los Lunes al Sol" (Segundas-feiras ao sol, 2002). O longa trata de um problema que também existe na Espanha e é cada ano mais crônico, o desemprego. Um grupo de homens forçados a parar de trabalhar vive o dia-a-dia do desemprego e da dificuldade de disputar com os jovens um novo lugar no mercado. Estrelado por um magnífico Javier Bardem, o drama de Aranoa é de uma sensibilidade e ao mesmo tempo crueza que afeta e agrada.

E, claro, com "Los Lunes al Sol" não foi diferente, ganhou cinco prêmios Goya: melhor filme, diretor, ator (Javier Bardem), ator coadjuvante (Luis Tosar) e ator revelação (José Ángel Egido). Contando com o monte de prêmios que o filme levou mundo afora, esse foi definitivamente o filme mais festejado de Fernando León de Aranoa, e o único lançado aqui no Brasil. Foi exibido em algumas mostras por aqui (São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília) e pode ser facilmente encontrado nas locadoras.

O último filme de Aranoa só foi lançado em 2005, "Princesas". O longa conta a história de duas prostitutas, uma espanhola e outra imigrante, e permeia as dificuldades que elas têm em viver a vida que levam. O filme enfoca também a questão da imigração, ainda que de modo quase imparcial, já que o diretor não dá maior voz a nenhum personagem que se manifesta sobre o assunto. "Princesas" toca em dois assuntos delicados ao povo espanhol, mas o longa se concentra muito mais em dar lugar às emoções de duas mulheres que não têm muitas perspectivas de vida, mas que não deixam nunca de sonhar. E os sonhos, os pequenos desejos, os detalhes da vida ordinária de cada dia é o que interessa a Fernando León de Aranoa ao construir seus personagens e criar suas bonitas histórias. Quantos Goyas o filme faturou? Melhor atriz (Candela Peña), melhor atriz revelação (Micaela Nevaréz) e melhor canção (Me llaman calle, de Manu Chao).

Em 2007, Aranoa participou de um filme em conjunto, produzido por Javier Bardem, chamado "Invisibles", uma série de curtas sobre problemas sociais com foco nos excluídos do mundo inteiro, ao lado dos cineastas Isabel Coixet, Wim Wenders, Mariano Barroso e Javier Corcuera. Seu curta se chama "Buenas Noches, Ouma", e retrata o drama de milhares de crianças da Uganda que caminham todas as noches tentando não serem sequestrados por soldados. O diretor impressionou ao abusar dos belos cenários naturais de Uganda e ao mostrar a história dessas crianças com toda a poesia, cuidado e expressividade característica da sua direção.

Assista ao trailer de "Princesas":